Falemos então do amor,
do coração gaguejando na boca.
Do amor sem metades,
que mastiga e maltrata o sono.
Do amor que deve ser vivido até a última gota,
que se derrama e afoga os amantes distraídos.
Falemos desse amor que encurrala o peito,
que salta aos olhos,traz o vento,
faz parecer verão.
Amor sem teto, terra ou chão.
Que não murmura,
amanhece.
Amor que assume os riscos do beijo.
( Ah! Se soubesses quão perigosos são os beijos...)
Falemos desse amor sem eternidades,
que se reconhece canção,
nunca pássaro.
E é em mim, na solidão imitada de risos,
que meu amor há de repousar para sempre,
até o último beijo,
aonde hei de morrer,
para que comigo morra o amor que sinto.